Ademilde Fonseca (Chorinho)

Chorinho

Ademilde Fonseca, a Rainha do Choro, da doce melodia, do amor sem preconceito.
Aquela cuja voz acompanha o ritmo e a velocidade que tem o mais sentimental de todos os sentimentos: o choro.
O choro é festa típica brasileira.
É confraternização alegre, em harmonia.
“é música clássica tocada com pé no chão, calo na mão e alma no céu”, disse o vocalista do conjunto MPB-4 , Aquiles Rique Reis, na mais perfeita de suas traduções.
Pois o choro remonta à mais antiga de todas as tradições brasileiras, de chorar cantando e cantar sorrindo.

“O brasileiro quando é de choro,
É entusiasmado
Quando cai no samba,
Não fica abafado
E é um desacato
Quando chega no salão”

Não há emoção mais bonita e verdadeira que a do choro.
Talvez porque o choro seja a forma mais natural e humana de se demonstrar um sentimento, tanto na alegria quanto na tristeza.
O choro da vitória, da derrota, da perda, do nascimento.
Nada remete mais a um sentimento puro e instintivo.
O choro é brasileiro, é brasileirinho. O choro é pandeiro, flauta, violão de 7 cordas, violão, bandolim e cavaquinho.

O choro é a trama da vida, onde os papéis se invertem, coadjuvantes se tornam protagonistas e a incerteza é a maior de todas as certezas.
O choro cantado de Ademilde Fonseca traz o alívio confortante da lágrima que toca o lábio e molha o rosto.
Sua voz acompanha macia e graciosa a profusão de sons e sentimentos quentes que nos atacam sem direito à defesa.
O bater de asas de passarinhos, de urubus malandros, tico ticos no fubáatrevidos, pedacinhos do céu caindo.

“Ouvindo a flauta,
O cavaquinho e o violão
Eu sinto que o meu coração
Tem a cadência de um pandeiro
Esqueço tudo
Evou cantando o ano inteiro
Esse chorinho
Que é muito brasileiro!”

Ademilde Fonseca estende sua voz sobre o choro como o céu estende seu manto estrelado sobre a terra, com pleno domínio.
A voz de Ademilde completa os instrumentos do choro como a lágrima completa o desabafo, o amor, a tristeza e a redenção.

Raphael Vidigal

Lido na Rádio Itatiaia por Acir Antão dia 04/03/2012.

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12 Comentários

  • Maravilha o texto sobre a rainha do choro, Raphael. Ademilde é única!!! Além de ter cantado com ela certa vez, na inauguração do teatro de arena Abílio Barreto, prestei-lhe uma homenagem no ano passado pelos seus 90 anos. Foram 21 choros gravados por ela, no projeto Para Todos. Foi emociante e uma pena ter ficado só ali. Gostaria muito de reprisá-lo em outros espaços, para públicos distintos. Quem sabe um dia….

    Resposta
  • Muito obrigado pela engrandecedora participação no site, Mauro! Abraços

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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