3 filmes brasileiros sobre o Futebol

“quero a vitória/do time de várzea
valente/covarde/a derrota/do campeão
5×0/em seu próprio chão
circo/dentro/do pão” Paulo Leminski

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Considerado até hoje o esporte mais popular do mundo, criado pelos ingleses e reinventado pelos brasileiros, o futebol segue despertando paixões, e como terreno fértil da emoção não poderia ser deixado de lado por uma das artes que mais se valem desta qualidade, o cinema. No âmbito nacional, a peleja recebeu tratamento distinto de nossos diretores, atores e roteiristas, entre demais envolvidos, porém sempre com a habilidade que transformou o futebol brasileiro no mais reverenciado no planeta através das décadas, embora passe por período de triste decadência em função, principalmente, dos que se utilizaram dele na parte administrativa para benefício próprio. Pertence ao Brasil, porém, a hegemonia em Copas do Mundo, com 5 troféus conquistados, além, é claro, de aqui ter nascido o maior jogador da história, com seus 1281 gols, Edson Arantes do Nascimento, natural de Três Corações, conhecido Pelé.

Boleiros – Era uma vez o futebol… (comédia, 1998) – Ugo Giorgetti
Lançado em 1998 com direção de Ugo Giorgetti, “Boleiros – Era uma vez o futebol…” tornou-se um dos filmes mais marcantes e revisitados sobre o assunto, tanto que ganhou uma continuação, em 2006. O sucesso do longa-metragem certamente se deve muito à abordagem sentimental, que resgata do esporte suas raízes, ao enxergar o jogo, principalmente, sob o aspecto lúdico e da importância emotiva que preenche na vida das pessoas. Assim, o filme se pauta pelo esporte praticado na várzea, mais natural e distante do mundo excessivamente plastificado que recebeu nas categorias profissionais, onde impera cada vez mais a ambição em detrimento da paixão. Uma das cenas históricas e mais emblemáticas ficou sendo aquela protagonizada pelo ator Otávio Augusto que, na pele de um árbitro desonesto manda o batedor cobrar o pênalti reiteradas vezes até que ele acerte a cobrança. Embora passeie por diversos gêneros, talvez por essa passagem o filme destacou-se pela comédia.

Pelé Eterno (documentário, 2004) – Anibal Massaini Neto
Reconhecidamente o maior jogador de futebol de todos os tempos, tendo feito muito mais do que mil gols ao longo de toda a carreira, e eleito o “Atleta do Século”, Edson Arantes do Nascimento, por isto mesmo, protagonizou, para além do futebol, cenas na música e no cinema, fosse como cantor, compositor, ator ou, na maior parte das vezes, o grande homenageado. Tri-campeão mundial com a Seleção Brasileira, nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e, especialmente, 1970, naquele que ficou conhecido como o melhor escrete canarinho já visto, Pelé é quase unanimidade quando se fala no esporte mais popular do planeta. Por isso não foram poucos os documentários que abordam sua história, um entre todos, porém, se destaca. “Pelé Eterno”, lançado em 2004 com direção de Anibal Massaini Neto e com roteiro de José Roberto Torero e Armando Nogueira passeia pela trajetória do astro abarcando um amplo número de informações conjugadas a escolhas de estética e conteúdo que ampliam a sensação dos feitos do “Rei do Futebol”. Conta com depoimentos de amigos, familiares, jornalistas, entusiastas e, claro, dele, Pelé.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (drama, 2006) – Cao Hamburger
“O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, drama lançado e dirigido por Cao Hamburger em 2006 é um filme especial sobre o esporte por dois motivos. Primeiro porque se vale da perspectiva de uma criança, algo bastante raro, e o realiza com incrível competência, afinal Cao é um dos especialistas no tema, responsável pela direção de sucessos como “Castelo Rá-Tim-Bum” e “Um Menino Muito Maluquinho”; e segundo pelo fato de o futebol servir como pano de fundo a uma história maior e mais dramática, a da ditadura militar instaurada no Brasil de 1964 a 1985 que perseguiu, torturou e matou centenas de pessoas. Interessante, sobretudo, por remeter a episódio e dilema comum entre muitas camadas da sociedade na época que se viam divididas entre a revolta com o regime autoritário implantado no país e a torcida pela Seleção Canarinho. Se muitos afirmaram que torceriam contra o Brasil para que o êxito no México não servisse de bandeira aos militares, quando a bola rolava poucos conseguiam não se encantar com o time comandado por Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino, Jairzinho e outras feras que passaram de Saldanha para Zagallo.

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Raphael Vidigal

Fotos: Luiz Paulo Machado; e cena do filme “Boleiros”, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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