2 músicas cantadas por Marília Pêra

“Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.” Mario Quintana

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Embora tenha se destacado, principalmente, como atriz, Marília Pêra foi uma artista de múltiplos talentos, o que comprovam sua formação prática e teórica. Iniciou a trajetória como bailarina e integrou o corpo de peças de teatro em que reverenciava e vivia Carmen Miranda. A influência musical na carreira e na vida de Marília pode ser sentida por duas circunstâncias. Em primeiro lugar, os discos que gravou e dos quais participou como intérprete, e em segundo a busca por uma dicção para suas personagens que, para os mais atentos trazia sempre algo de musical, e mais do que isso, de ritmo, de tempo, de respiração. Atributos fundamentais para a comédia, onde se destacou, mas também em outras vertentes como o drama e o romance. Marília foi uma atriz completa.

Alô, Alô, Brasil (MPB, 1975) – Eduardo Dussek
Já em 1975, após alguns compactos simples, Marília lançou o seu primeiro disco, resultado do show de nome homônimo, “Feiticeira”, em que era acompanhada pelos músicos estreantes do grupo de rock psicodélico “Vímana”, que depois se destacariam nas respectivas carreiras solo, como Lulu Santos, Ritchie e Lobão. Produzido por Fauzi Arap e Nelson Motta, o espetáculo não agradou a crítica nem ao público, mas legou preciosidades para a música brasileira num momento posterior. Além do registro seguro, com técnica apurada e a emoção propícia dada por Marília Pêra, o disco lançou o compositor Eduardo Dussek na música “Alô, Alô, Brasil”, uma revisita aos costumes e à marchinha nacional sob o olhar aguçado do rock dos anos 1980 que se instaurou no país.

120… 150… 200Km por hora (Jovem Guarda, 1970) – Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Já no ano de 2009, quando do lançamento do álbum “Elas cantam Roberto”, Marília brindou o público com uma interpretação ainda mais teatral e sincera de “120… 150… 200km por hora”, sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos já na pós-Jovem Guarda, mas ainda sob o signo rebelde e desbravador do movimento. Ao ambiente de carros e estradas os compositores aliam uma reflexão sobre a existência, perpassada, como de praxe, por desilusões amorosas. O que permanece na interpretação de Marília é a força com que a artista se entregou à arte, pois ao que parece estar em seu domínio é totalmente dela. E assim quem ganha é o público. Que venham os aplausos para Marília Pêra.

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Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo e Divulgação; capa do disco lançado pela artista em 1975.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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