10 músicas brasileiras para o Dia dos Namorados

“Às vezes se tenho uma tristeza, as andorinhas me
namoram mais de perto.
Fico enamorado.
É uma bênção.” Manoel de Barros

Músicas brasileiras cantaram as paixões de namorados

A tradição romântica marca a música brasileira desde o seu princípio, com valsas e boleros eternizados por nomes como Carlos Galhardo, Francisco Alves e outros apaixonados do gênero. Os primeiros ritmos com acento nacional, como as serestas e o samba-canção também seguiram esse estilo, destacando cantoras cuja entrega era possível sentir nas letras e interpretações, casos de Dolores Duran, Dalva de Oliveira e, mais à frente, Maysa. Não há uma época no nosso cancioneiro em que alguém não se declare de amor. Com a proximidade do Dia dos Namorados, celebrado no Brasil nesta segunda (12), músicas para embalar os corações é o que não falta…

Fim de Semana em Paquetá (1947) – Braguinha e Alberto Ribeiro
No final da década de 1940, Braguinha e Alberto Ribeiro captaram com sensibilidade os primeiros momentos do amor ao retratar encontros no bairro carioca de Paquetá. “Esquece por momentos teus cuidados/e passa teu domingo em Paquetá/aonde vão casais de namorados/buscar a paz que a natureza dá/(…) agarradinhos, descuidados/ainda dormem namorados/sob um céu de flamboyants”. A música foi lançada por Nuno Roland e regravada com enorme sucesso por Jorge Goulart e, depois, Wilson Simonal.

Sábado em Copacabana (1952) – Dorival Caymmi e Carlos Guinle
Já morando no Rio de Janeiro, o baiano Dorival Caymmi logo se encantou pela cidade e compôs junto ao carioca Carlos Guinle uma ode ao bairro de Copacabana, com dicas para os casais apaixonados. “Um bom lugar para encontrar, Copacabana/para passear à beira-mar,Copacabana/depois num bar à meia-luz, Copacabana/eu esperei por essa noite uma semana/um bom jantar depois de dançar, Copacabana/um só lugar para se amar, Copacabana”. Lançada por Lúcio Alves teve regravação de Dick Farney.

Namorados (1954) – Lupicínio Rodrigues
Mestre da chamada “dor de cotovelo”, Lupicínio Rodrigues também abordou o amor e seus primeiros anos, porém sob o viés em que se especializou. “Quando eu era só teu namorado/mas que vida que a gente vivia/(…) todo dia nossos lábios somente se abriam/para trocarmos promessas sem fim/(…) mas agora que somos casados/foi que tudo para nós mudou/antes tu me chamavas de amado/hoje até desgraçado eu já sou”. Lançada pelo autor foi regravada por Arrigo Barnabé em dueto com Sérgio Espíndola.

E Daí? (1959) – Miguel Gustavo
Uma Bossa Nova de Miguel Gustavo, famoso pelos sambas de breque gravados por Moreira da Silva, chamou a atenção em seu lançamento, tanto por seu caráter melódico quanto pela letra. Gravada por Isaurinha Garcia, a música conta a história de um amor parecido com o de “Romeu & Julieta”, clássico de Shakespeare. “Proibiram que eu te amasse/proibiram que eu te visse/proibiram que eu saísse/ou perguntasse a alguém por ti/proíbam muito mais/preguem avisos/fechem portas/ponham guizos/nosso amor perguntará: e daí, e daí?”. Foi regravada por Jards Macalé.

A Lua É dos Namorados (1961) – Klécius Caldas, Brasinha e Armando Cavalcanti
O trio de foliões Klécius Caldas, Brasinha e Armando Cavalcanti optou por colocar um símbolo da paixão como protagonista da marchinha lançada no início da década de 1960 por Angela Maria: a lua. Além disso, a disputa espacial travada no período entre russos e norte-americanos contribuiu para inspirar os autores. Os versos de entusiasmo que abrem a composição servem, também, como refrão, e ainda voltam para encerrar a música. “Todos eles estão errados/a lua é dos namorados”.

Minha Namorada (1965) – Vinicius de Moraes e Carlos Lyra
Considerada por Elis Regina “a maior cantada da música brasileira”, a composição de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra faz jus ao entendimento da cantora, que assistiu ao registro feito por Jair Rodrigues durante o programa “O Fino da Bossa”, apresentado pela dupla na rede Record nos anos 1960. “Se você quer ser minha namorada/ah, que linda namorada/você poderia ser/ (…) e também de não perder esse jeitinho/de falar devagarinho/essas histórias de você”. A música foi gravada por Maria Creuza e Maria Bethânia.

Namorinho de Portão (1968) – Tom Zé
Lançada por Tom Zé em “Grande Liquidação”, primeiro álbum do autor, a composição se vale de uma abertura incidental da música de domínio público “Cai, cai, balão”, para, em seguida, incluir outros elementos caros à Tropicália, como a mistura sonora e a fluidez discursiva. “Namorinho de portão/biscoito, café/meu priminho, meu irmão/conheço essa onda/vou saltar da canoa”. A música foi regravada com grande sucesso por Gal Costa, no conceituado álbum que trazia, ainda, “Não Identificado” e “Baby”.

Folia no Matagal (1981) – Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes
A dupla de compositores Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes transfere as relações amorosas para a natureza nesta marchinha que traz no deboche e na metáfora os seus grandes trunfos a fim de vencer os moralismos e as repressões da época. “O mar passa saborosamente/a língua na areia/ (…) e lá em cima a lua, já virada em mel/olha a natureza se amando ao léu/e louca de desejo fulgura num lampejo/e rubra se entrega ao céu”. Lançada por Dussek, ganhou regravações de Maria Alcina e Ney Matogrosso.

Preciso Dizer Que Te Amo (1988) – Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto
Interpretada por Cazuza no especial “Uma Prova de Amor”, exibido pela rede Globo em 1989, a música teve seu primeiro registro revelado no ano de 2004, quando o produtor Ezequiel Neves recuperou a fita cassete original. Lançada na coletânea “Preciso Dizer Que Te Amo”, a versão apresenta as vozes de Bebel Gilberto e Cazuza sob o acompanhamento do violão de Dé Palmeira. “E até o tempo passa arrastado, só pra eu ficar do teu lado/ (…) é que eu preciso dizer que eu te amo/te ganhar ou perder sem engano”.

Vai Dar Namoro (2003) – Bruno & Marrone
Estouro da dupla sertaneja Bruno & Marrone no ano de 2003, a música foi lançada no álbum “Inevitável”, que trazia ainda a presença de Claudia Leitte na faixa “Doce Desejo” e uma regravação para “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, música de Fernando Mendes. Aliás, a canção de Mendes foi gravada por Caetano Veloso neste mesmo ano. Para completar, Maria Bethânia intercala em seus shows o refrão de “Vai Dar Namoro” com “É O Amor”, outro sucesso sertanejo. “Do jeito que você me olha/vai dar namoro”.

*Bônus

Dia dos Namorados (1987) – Cazuza e Perinho Albuquerque
Composta em 1986 a música “Dia dos Namorados” ficou fora de “Só Se For a Dois”, disco lançado por Cazuza um ano mais tarde. Parceria do “poeta exagerado” com Perinho Albuquerque, a música foi então oferecida para Zezé Motta, que a cantou em shows, mas não chegou a registrá-la por falta de gravadora na época. Trinta anos depois, com o intermédio do produtor e baixista Nilo Romero a gravação feita com a voz de Cazuza foi recuperada e mais: passou a contar com a adesão de Ney Matogrosso. Não por acaso, o dueto bisa relação protagonizada pelos dois, que foram namorados. É, no entanto, o único registro musical com a voz dos dois juntos.

Vinicius de Moraes cantou o amor na música e na poesia

Raphael Vidigal

Imagens: Montagem com fotos de Arrigo Barnabé, Isaurinha Garcia, Dorival Caymmi, Eduardo Dussek, Angela Maria e a dupla Bruno & Marrone, da esquerda para a direita e de cima para baixo; e foto de Vinicius de Moraes, respectivamente.

Publicada no jornal O Tempo em 11/06/2017.

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Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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