*Raphael Vidigal Aroeira
Único pentacampeão mundial, o futebol brasileiro é reconhecido por seus craques. Os cinco títulos conquistados podem ser também divididos por ícones da envergadura de Pelé, Garrincha, Tostão, Romário e Ronaldo – desde que estejamos cientes de que muitos outros ficaram de fora, como Rivellino, Didi, Nilton Santos, Gérson, Bebeto, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, e etc. Fato é que nossas derrotas mais doloridas também ficaram marcadas por jogadores extraclasse, e foram poucas as gerações que passaram em branco nas Copas.
Em 1938, Leônidas da Silva foi o grande destaque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo que terminou com o bicampeonato da Itália, marcando oito gols em sete jogos, sendo eleito o melhor jogador da competição e levando sua equipe à melhor colocação até então, o terceiro lugar. O Diamante Negro também disputou a Copa de 1934, e acabou prejudicado pela Segunda Guerra Mundial, que impediu a realização do torneio durante a década de 1940. A geração identificada pelo craque Leônidas da Silva é uma que ficou sem Copa.
Outro caso emblemático é representado pela geração de Zico, eterno camisa 10 da Gávea. Ele encarnou, como ninguém, o espírito do escrete treinado por Telê Santana, que praticava o autêntico futebol-arte e entrou para a história com deslumbrantes atuações na Copa de 1982, embora tenha sido eliminada pela Itália. O time que contava com Zico, Falcão, Cerezo, Sócrates, Éder, Júnior, Leandro e Oscar, é até hoje considerado um dos grandes injustiçados da bola, por ter ficado sem uma Copa. Em 1986, sofreria novo revés, dessa vez para a França, com Zico desperdiçando uma das penalidades. Há quem sustente que Zico só não é comparado a Garrincha e Maradona por esse fato…
Agora, Neymar e sua geração se candidatam a entrar para esse clube indesejado. Com a precoce eliminação para a Croácia, nas quartas de final, a Seleção Brasileira igualou seu jejum de títulos mundiais, repetindo a lacuna que se estendeu de 1970 até 1994. E, se não levantar o caneco em 2026, na Copa disputada em tríplice território (Estados Unidos, Canadá e México), vai superar essa triste marca. Na ocasião, Neymar terá 34 anos, em sua provável última Copa, depois de três disputadas e, até agora, nenhuma taça para o alto.
Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.


