*Raphael Vidigal Aroeira
Mineiro de Paraguaçu, Rômulo Paes nasceu no dia 27 de julho de 1918, e morreu no dia 4 de outubro de 1982, aos 64 anos. Primo de Ary Barroso, Rômulo foi jornalista e vereador em Belo Horizonte. Em 1935, começou a carreira de cantor de rádio, mas não chegou a gravar discos. Depois, tornou-se diretor artístico da Rádio Guarani e comandou a Rádio Mineira. Rômulo foi responsável por lançar Dalva de Oliveira no rádio. A sua primeira composição gravada recebeu as vozes do conjunto Anjos do Inferno. Em 1957, ele compôs, com Eli Murilo, a marcha “Minha Belo Horizonte”, gravada por Dircinha Batista.
“A Louca Chegou” (batucada, 1953) – Rômulo Paes, Adoniran Barbosa e Henrique de Almeida
Um trio inconfundível de boêmios se reuniu para compor uma batucada que foi o maior sucesso do Carnaval de 1953: nada mais nada menos que os compositores Rômulo Paes, Adoniran Barbosa e Henrique de Almeida, numa confluência Minas, São Paulo e Rio. A música foi lançada por Emilinha Borba, Rainha do Rádio, com acompanhamento de Ruy Rey e sua orquestra. Os versos simples e descontraídos, fáceis de decorar, logo caíram na boca do povo. “A louca chegou ô/ô, desesperada procurando seu amor”, canta o folião…
“Maria e José” (samba, 1957) – Rômulo Paes e Pedro da Silva
Em 1957, Rômulo Paes compôs, com Pedro da Silva, um samba que refletia o fervor religioso da população brasileira, especialmente dos mais humildes e, de quebra, ainda revelava o traço de cor próprio da triste tradição escravagista do país. “Toda preta é Maria/Todo preto é José/Às vezes quando varia/Ele é José Maria/Ela é Maria José”, sintetizam os versos deste samba lançado pela cantora Bárbara Martins e que, apesar das transformações na cultura brasileira, segue incrivelmente atual, tanto pelo caráter social quanto artístico…
Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.


