*Raphael Vidigal Aroeira
Pródiga em “zebras” – ou canguru, no caso da inesperada classificação da Austrália às oitavas –, a Copa do Mundo de 2022 apresenta outra característica peculiar: a maioria das seleções alcançou pelo menos um ponto na primeira fase, com duas exceções. O anfitrião Catar e o Canadá que, junto a México e Estados Unidos, sediará a próxima competição, daqui a quatro anos, em 2026. A constatação aponta para um equilíbrio que não estava nos planos das seleções tradicionais. O Uruguai, bicampeão do mundo, penou contra Coréia do Sul e Portugal, e agora decide sua vida no certame ante a seleção de Gana.
A Alemanha ficou nas cordas após ser superada, de virada, pelo Japão. A Argentina se classificou, mas começou sua jornada sendo derrotada pela surpreendente Arábia Saudita, que decretou até feriado nacional no país árabe. A França, já garantida, conseguiu ser derrotada pela Tunísia. Para completar, Marrocos deixou estupefatos gregos e troianos e, sobretudo, belgas e croatas, ao conquistar o primeiro lugar num grupo com os dois europeus citados. O Canadá, apenas em sua segunda participação em mundiais – a primeira foi em 1986 – tinha por objetivo isso mesmo: participar, se preparar e sediar em 2026.
Já o Catar, pelo que apresentou na atual edição, deixa a nítida impressão de que jamais disputaria uma Copa do Mundo caso não fosse sede – e já havia motivos de sobra para que nunca tivesse sido, diante do desrespeito aos direitos humanos praticados no país. Ainda assim, conseguiu dar uma alegria à sua torcida, ao marcar um gol de honra contra Senegal, na derrota por 3 a 1, coisa que o Uruguai ainda não conseguiu. O país sul-americano é, até aqui, o único da Copa de 2022 que não assinalou sequer um gol, mais um ingrediente que revela o teor de disputas cada vez mais acirradas, para deleite dos que não suportam a desigualdade. Até o Canadá marcou 2 gols em suas derrotas…
Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.


