Hit pra toda vida: 10 artistas marcados por 1 único sucesso

“acabo como começo
canções de fracasso
não fazem mais sucesso” Paulo Leminski

Por vezes a força de uma canção é tanta que ela é suficiente para impulsionar toda uma carreira e chega, inclusive, a acoplar-se ao nome do intérprete. No Brasil, não são raros os compositores que ficaram marcados por um único sucesso. Motivo de orgulho para a maioria, alguns chegam a renegar o fruto da fama e recusam-se a cantar pela nonagésima vez “a mais pedida” nos shows. Mas, via de regra, ela permanece no coração dos fãs mesmo após vários anos.

“Menina Veneno” (1983) – Ritchie e Bernardo Vilhena
Inglês radicado no Brasil desde a década de 70, Ritchie experimentou o estouro logo em sua estreia solo no mercado fonográfico. Antes, atuou como professor de inglês e formou uma banda de rock progressivo ao lado de Lobão e Lulu Santos. Com “Voo de Coração” ele deu o salto definitivo para se consagrar junto ao panteão dos sucessos, graças ao inesquecível hit “Menina Veneno”, parceria com o poeta Bernardo Vilhena que trazia a imagem única do “abajur cor de carne”. A música foi regravada por Zezé di Camargo & Luciano.

“Sonho de Ícaro” (1984) – Piska e Cláudio Rabello
Maurício Pinheiro recebeu o apelido de Biafra quando criança por ser muito pequeno e esquálido. Ao longo da carreira, resolveu trocar o i pelo y. Em 1984, ele ainda assinava da maneira original quando gravou “Existe uma Ideia”, o quinto disco da carreira. Foi então que lhe chegou o sucesso pelo qual ficaria conhecido até os dias atuais. Composta por Piska e Cláudio Rabello, a música “Sonho de Ícaro” era justamente inspirada no personagem mitológico que busca alcançar o sol e tem suas asas queimadas. “Voar, voar/ Subir, subir…”.

“Escrito nas Estrelas” (1985) – Arnaldo Black e Carlos Rennó
Responsável por conceder a Tetê Espíndola o primeiro lugar no Festival dos Festivais da TV Globo em 1985, a música “Escrito nas Estrelas” marcou toda a trajetória da intérprete sul-mato-grossense. A canção é uma parceria de Arnaldo Black (marido de Tetê) com o compositor Carlos Rennó. Ligada a uma veia mais experimentalista da canção, Tetê impressionou pela extensão de seus agudos. Ela trabalhou ao lado de nomes como Arrigo Barnabé, Lucina e Alzira E., sua irmã. A música aborda, juntas, questões românticas e místicas.

“Meu Ursinho Blau Blau” (1985) – Paulo Massadas e Sérgio Diamante
Formada no Rio de Janeiro no esteio da onda rock que assolava o país, a banda Absyntho teve pouco tempo de vida. O mesmo não se pode dizer do maior sucesso do conjunto que esteve em atividade de 82 a 87. Em 85 eles estrearam no mercado com disco que trazia o nome do conjunto. Mas o maior destaque ficou por conta da faixa “Meu Ursinho Blau Blau”, misto de romance juvenil com canção infantil criada por Paulo Massadas e Sérgio Diamante. O vocalista Sylvinho ficou tão apegado à música que a colocou no sobrenome.

“Meu Mel” (1987) – versão de Markinhos Moura
Durante a Jovem Guarda uma fonte inesgotável de sucessos era a antiga fórmula de criar versões para músicas já consagradas. Foi esse o recurso que Markinhos Moura utilizou para estourar com “Meu Mel”, ao recriar em português a obra “Music”, lançada pelo francês FR David em 83. A música teve tanto êxito junto ao público que o intérprete ainda é reconhecido pela canção, eternamente associada ao seu nome, embora ela tenha sido regravada por nomes como o cantor Leonardo e, mais recentemente, por Léo Magalhães.

“Palpite” (1997) – Vanessa Rangel
Carioca, a cantora Vanessa Rangel lançou apenas dois discos. Mas foi com o primeiro que colocou definitivamente o seu nome na história da música brasileira, graças à balada “Palpite”. A romântica canção entrou na trilha da novela “Por Amor”, da rede Globo, no mesmo ano de 1997 em que foi lançada, o que contribuiu para ampliar ainda mais o seu sucesso. Regravada por Adriana Calcanhotto, a música passou a ser associada à banda Kid Abelha, pela semelhança de timbres entre Vanessa Rangel e a vocalista Paula Toller.

“Jeito Sexy (1998)” – versão de Milton Guedes
Grupo vocal formado por oito irmãos de Sorocaba, o Fat Family já expressava suas referências sonoras no nome em inglês escolhido para batizar o conjunto. Imbuídos dessa miscelânea pop, eles chamaram a atenção do cenário nacional com uma versão da música “Jeito Sexy” feita por Milton Guedes em cima da já consagrada “Shy Guy”, de Diana King. Além dos versos, o que ficou para a história foi a dancinha feita com os pescoços no clipe da música, e que se tornou uma marca registrada dos intérpretes. O hit invadiu as paradas em 98.

“Xibom Bombom” (1999) – Wesley Rangel
Nascido em Salvador, o grupo As Meninas, como indicava o batismo, era uma reunião absolutamente feminina. Embora pautado, principalmente, na dança, o conjunto não deixava de lado as mensagens. Tanto que o sucesso pelo qual o grupo é conhecido até hoje faz uma análise para lá de perspicaz a respeito da imobilidade social no país. A letra criada por Wesley Rangel constata: “analisando essa cadeia hereditária/ quero me livrar dessa situação precária/ onde o rico cada vez fica mais rico/ e o pobre cada vez fica mais pobre…”.

“Tô Nem Aí” (2003) – Luka, Latino, Lara Fontenele e Alessandro Tausz
O famoso refrão “chiclete” foi o que consagrou a gaúcha Luciana Karina, mais conhecida como Luka. Aposta do cantor Latino, ela acumulou todos os prêmios de melhores do ano das redes de televisão no ano de 2003, graças à música “Tô Nem Aí” que, além dela, ainda trazia como compositores os nomes de Latino, do produtor Alessandro Tausz e da empresária Lara Fontenele. Luka chegou a gravar outros três discos após a estreia com “Porta Aberta”, mas não voltou a repetir o mesmo sucesso. É como dizem: “Tô nem aí, tô nem aí…”.

“Tremendo Vacilão” (2006) – Mãozinha, Claudia Teles e Sarah Marques
Apelidada pela imprensa de “Kelly Key do funk”, a carioca Perlla virou um fenômeno musical graças à música “Tremendo Vacilão”, lançada em 2006 no seu disco de estreia, que trazia o sugestivo título “Eu Só Quero Ser Livre”. Com apenas 17 anos, a cantora popularizou mais uma canção sobre as desavenças amorosas, com uma postura altiva da mulher na relação. Posteriormente, Perlla abandonou o estilo para dedicar-se à música gospel, convertendo-se evangélica. No entanto, logo em seguida, ela voltou a cantar sucessos do funk.

Menina Veneno é o maior sucesso de Ritchie

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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